Tive o prazer de participar nessa segunda feira última, dia oito, de uma Parada Geral do 2º BPM – Ilhéus no Colégio Modelo Luis Eduardo Magalhães, onde estavam presentes mais de uma centena de Policiais Militares, o Delegado Dr. André e o Juiz da 2ª Vara Crime Dr. Faiçal, bem como o Sr. Ten. Cel. PM Batista, Comandante do 2º BPM e mentor dessa reunião que tem como maior interessada à população de Ilhéus.
A parada foi aberta pelo Senhor Cel. Batista falando da imprescindibilidade de se aproveitar esse momento ímpar na cidade, pois em nenhum outro momento houve essa integração, essa ligação visceral entre Polícia Civil, Polícia Militar e o Poder Judiciário. Naquela oportunidade todos os Policiais Militares presentes, tiveram mais uma oportunidade de ouvir a fala eloqüente do seu Comandante, cheia de experiência, sabedoria e de uma profundidade teórica e intelectual que inspira os comandados a estudarem cada vez mais, não penas para chegarem àquele nível, mas para transcenderem. O Cel. destacou que o problema da segurança não é apenas um problema de polícia e que desde que chegou está empenhado junto com sua equipe em reduzir os índices de violência e criminalidade da cidade de Ilhéus e essa reunião foi uma das iniciativas para se chegar a esse objetivo.
A palavra foi passada ao Dr. Faiçal, pessoa simples e humilde, humana ao extremo, ele se quer é baiano, mas por ter no sangue a sede e o senso de justiça, demonstrou profundo desejo de ver os índices de violência e criminalidade na cidade diminuírem. Trouxe um dado de suma importância para a valorização do trabalho realizado pelos Policiais, disse que desde a sua chegada houve uma redução de aproximadamente cinqüenta por cento, nos processos por conta da celeridade e andamento que foram dados aos mesmos, disse ainda que logo após a sua chegada havia uma dificuldade para conseguir ouvir os Policiais como testemunhas nos processos e que isso dificultava muito o seu trabalho, mas isso aos poucos foi sendo sanado.
O Dr. Juiz, deu oportunidade para os presentes fazer questionamentos, fiz uma intervenção elogiando a iniciativa das autoridades e tentei justificar o fato de que muitos policiais criavam dificuldades para serem ouvidos pelo seguinte: primeiro que as prisões e apreensões eram feitas e meses ou até ano após os Agentes de Segurança eram convocados para depor e considerando-se o longo tempo decorrido, muitos tinham poucas lembranças dos fatos e por conta disso a sua palavra era colocada em xeque nas audiências. Por vezes os papéis se invertiam, os policiais eram tratados com desconfiança. Isso desestimula o profissional de segurança pública que está na ponta do sistema, trabalhando sob péssimas condições e que mesmo assim prende o marginal e em pouco tempo encontra com ele na rua, na feira, no centro da cidade, isso quando o marginal não mora ao lado do PM e de sua família, sabendo de toda a sua rotina. Com o Dr. Faiçal o tratamento dispensado é mais humanizado as audiências não demoram tanto para ocorrer fazendo com que os fatos sejam lembrados com facilidade, ocorrem impreterivelmente no horário marcado, impedindo que os policiais percam uma tarde inteira, muitas vezes em sua folga para serem ouvidos porque fizeram uma prisão. Muitos Colegas de trabalho já haviam comentado sobre o excelente trabalho que o magistrado vinha fazendo e eu tive a oportunidade de comprovar quando fui ouvido após apreender certa quantidade de drogas com um jovem na Avenida Esperança. Na audiência não apenas eu como o criminoso fomos tratados com respeito e dignidade.
Por fim a palavra foi passada para o Dr. André, Delegado da Polícia Civil, esse coincidentemente não é da Bahia também, mas trouxe na sua fala elementos que nos levou a criar grande expectativa no trabalho a ser realizado, esse rapaz Jovem, mas que demonstrou ter muita experiência, tendo realizado um excelente trabalho na cidade de Paulo Afonso. Ele demonstrou e alguns colegas já haviam comentado que ele é um homem de área e não apenas de escritório, gosta de está na rua, comandando operações e não apenas determinando ou despachando. Falou que após a sua chegada houve um crescimento no número de prisões e apreensões em flagrante feitas por agentes da Polícia Civil que anteriormente reservava-se basicamente a registrar as apreensões feitas pela Polícia Militar, isso sem contar que as condições de trabalho eram péssimas, com a carceragem lotada, problema quase sanado com a chagada do Dr. Faiçal.
Ao final, todas três autoridades colocaram-se a disposição e abriram as portas dos seus gabinetes para sanarem qualquer dúvida ou mesmo para possibilitar que se façam denúncias, essas serão encaminhadas a quem de direto para proceder às devidas investigações e posteriormente as operações serão feitas com objetivo de extirpar do convívio social as pessoas que tem inclinação para delinqüência. Algumas questões foram pontuadas pelos colegas como a necessidade de participação de um representante da Polícia Federal e de membros do Governo Municipal. Foi ainda elencado que o Batalhão dispõe de três projetos que atuam de forma preventiva que são: a peça teatral sobre drogas, o PROERD e especialmente a Ronda Escolar que acerca de dois anos vem desenvolvendo um excelente trabalho de prevenção e de repressão ao crime nas escolas, nesse período foram presas várias pessoas comercializado drogas nas escolas e imediações e apreendidas armas brancas e até uma arma de fogo além de ter prestado socorro a alguns estudantes. A Ronda Escolar ainda atua como uma espécie de coringa, pois age em toda a área do Batalhão por isso acaba dando apoio às unidades em toda a cidade, inclusive nos distritos.
Com relação ao título do presente texto “Choque na segurança pública em Ilhéus” só quero ressaltar que esse choque quem vai dar não sãos as forças de segurança, haja vista que as forças de segurança só agem quando o problema está instalado, quando se torna crônico. É preciso que esse choque seja nas consciências das pessoas que só cobram e não fazem a sua parte, quantos de nós sabemos que determinadas pessoas portam armas e não denunciamos? Quantos de nós sabemos que ao lado de nossa casa tem uma “boca de fumo” e não fazemos nada? Queixam-se da violência, mas nada fazem para impedir que ela aconteça. Na Bahia, segundo o Governo do Estado, cerca de oitenta por cento dos homicídios estão relacionados com o Crack e nós o que temos feito para reduzir esses índices? Para denunciar, não precisa se expor basta uma simples ligação que pode ser feita de graça de um orelhão bem longe da sua casa para a Polícia Civil, Disque Denúncia, Batalhão, Ministério Público e porque não, procurar até o Judiciário se for o caso. Ou seja, as opções são muitas, cabe a cada um fazer a sua parte o trabalho do beija-flor que sozinho tenta apagar o incêndio na floresta enquanto os outros fogem. Se você denuncia, a PM prende, a Civil registra e encaminha, o Juiz Julga e fecha-se essa cadeia cíclica onde só quem tem a ganhar é a população. Vale lembrar que essa abordagem é só em torno do problema instalado que poderia ser evitado se tivéssemos políticas públicas sociais efetivas de inclusão no nosso município. Fica aqui o meu recado. Para que haja um “Choque na Segurança Pública em Ilhéus” é preciso que cada um faça a sua parte, pois se quisermos mudar o mundo temos que mudar primeiro a nossa postura, afinal não se constrói uma casa do telhado para a fundação.
Esse blog se propõe a discutir vários assuntos, o que incomoda, indigna, emociona o que cria uma relação de identidade o que nos faz refletir, tudo isso numa perspectiva de quem nasceu e se criou na periferia e hoje com um olhar mais apurado busca discutir sobre a realidade que nos cerca. Nesse ambiente se pretende desenvolver teses, antítese e sínteses acerca de assuntos do cotidiano especialmente da política que é o que nos move.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
sábado, 31 de outubro de 2009
A “democratização” da informação por meio da internet

Historicamente os meios de comunicação de massa foram (são) usados pelas classes sociais dominantes com o objetivo de manter a sua condição “superior”, seu status quo. Os jornais impressos, as emissoras de rádio e televisão principalmente usam a sua capacidade assombrosa de alcance populacional, pois chegam aos mais longínquos lugarejos desse país de dimensões continentais, levando “verdades” que nem sempre trazem em si informações essencialmente verídicas ou que de forma subliminar omitem e mascaram a realidade.
Mais recentemente, a internet também foi e é usada como meio de comunicação de massa com objetivando impedir o acesso à informação dos mais pobres, o PROLETARIADO. Essa assertiva se faz possível porque em um primeiro momento a internet que além de cara apenas aglomerava os três meios de comunicação outrora citados. Era a chamada convergência, você tinha o computador conectado a rede e o mesmo apenas reproduzia o noticiário do jornal impresso, do rádio ou da televisão.
Nessa perspectiva, reprodutora de informações e considerando os custos elevados para aparelhar um jornal impresso comunitário ou a burocracia legalista para se montar uma rádio comunitária, além da falta de incentivo e apoio de entidades governamentais, o povo carece de uma TRIBUNA que faça com que suas vozes ecoem e sejam ouvidas. Nesse contexto teve início os debates em torno da TV digital brasileira, qual seria o modelo adotado no país? E como já era de se esperar... afinal, Senhor Ministro das Comunicações é dono de empresas do ramo, o modelo adotado no país, trouxe o que havia de melhor em termos tecnológicos e de interatividade, mas não possibilitou o que na minha singela opinião seria fundamental, a concessão de espaço para outros canais abertos, possibilitando assim a democratização a informação por meio desse meio de comunicação.
No final da década de noventa, a internet começa a democratizar o acesso à informação, pois não apenas converge para si os meios de comunicação, como começa a abrir espaço para todos os interessados construírem os “seus jornais”, divulgarem suas notícias à sua maneira, ou à maneira que mais se aproximasse dos seus interesses ou mesmo o que considero mais eticamente correto, a divulgação de informações com o máximo de verossimilhança possível. O blog é um ótimo exemplo de ferramenta que oportuniza a democratização do direito a informação.É com esse objetivo que nasce o blog, TRIBUNA PROLETÁRIA, criado para ser um espaço jornalístico de contraponto, um espaço democrático de discussões sobre as questões do dia-a-dia, o que incomoda, indigna, emociona o que cria uma relação de identidade o que nos faz refletir. Nesse ambiente se pretende desenvolver teses, antítese e sínteses acerca de assuntos do cotidiano especialmente da política que é o que nos move. Espero que esse blog se constitua em um espaço que possa convergir alguns debates saldáveis, não busco agradar a todos porque sei que se assim for ele estará vazio em seu sentido que é desconstruir dogmas, paradigmas e construir proposições em torno de assuntos diversos. Espero não apenas que gostem, mas proponham temas e ajudem na construção desse espaço que se abre com o objetivo de não se calar diante de qualquer assunto que chame a nossa atenção.
Mais recentemente, a internet também foi e é usada como meio de comunicação de massa com objetivando impedir o acesso à informação dos mais pobres, o PROLETARIADO. Essa assertiva se faz possível porque em um primeiro momento a internet que além de cara apenas aglomerava os três meios de comunicação outrora citados. Era a chamada convergência, você tinha o computador conectado a rede e o mesmo apenas reproduzia o noticiário do jornal impresso, do rádio ou da televisão.
Nessa perspectiva, reprodutora de informações e considerando os custos elevados para aparelhar um jornal impresso comunitário ou a burocracia legalista para se montar uma rádio comunitária, além da falta de incentivo e apoio de entidades governamentais, o povo carece de uma TRIBUNA que faça com que suas vozes ecoem e sejam ouvidas. Nesse contexto teve início os debates em torno da TV digital brasileira, qual seria o modelo adotado no país? E como já era de se esperar... afinal, Senhor Ministro das Comunicações é dono de empresas do ramo, o modelo adotado no país, trouxe o que havia de melhor em termos tecnológicos e de interatividade, mas não possibilitou o que na minha singela opinião seria fundamental, a concessão de espaço para outros canais abertos, possibilitando assim a democratização a informação por meio desse meio de comunicação.
No final da década de noventa, a internet começa a democratizar o acesso à informação, pois não apenas converge para si os meios de comunicação, como começa a abrir espaço para todos os interessados construírem os “seus jornais”, divulgarem suas notícias à sua maneira, ou à maneira que mais se aproximasse dos seus interesses ou mesmo o que considero mais eticamente correto, a divulgação de informações com o máximo de verossimilhança possível. O blog é um ótimo exemplo de ferramenta que oportuniza a democratização do direito a informação.É com esse objetivo que nasce o blog, TRIBUNA PROLETÁRIA, criado para ser um espaço jornalístico de contraponto, um espaço democrático de discussões sobre as questões do dia-a-dia, o que incomoda, indigna, emociona o que cria uma relação de identidade o que nos faz refletir. Nesse ambiente se pretende desenvolver teses, antítese e sínteses acerca de assuntos do cotidiano especialmente da política que é o que nos move. Espero que esse blog se constitua em um espaço que possa convergir alguns debates saldáveis, não busco agradar a todos porque sei que se assim for ele estará vazio em seu sentido que é desconstruir dogmas, paradigmas e construir proposições em torno de assuntos diversos. Espero não apenas que gostem, mas proponham temas e ajudem na construção desse espaço que se abre com o objetivo de não se calar diante de qualquer assunto que chame a nossa atenção.
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